terça-feira, 13 de julho de 2010

Lugano entre os Dez destaques da Copa que vão agitar a janela europeia

Ano de Copa é assim. Algumas equipes deixam para mais tarde possíveis negócios. Ficam no aguardo para ver se alguma nova estrela desponta do torneio. Nem todas agem dessa forma, claro. Há quem prefira adiantar as conversas. Querem afastar a possibilidade de aquele possível alvo se valorizar e encarecer ainda mais o seu preço. Foi o que pensaram, por exemplo, Real Madrid e Barcelona. Antes mesmo do fim do Mundial, garantiram as chegadas de Di María e David Villa.

Quem esperou terá ao seu dispor jogadores também interessantes e que, na maioria dos casos, sairão mais baratos aos seus cofres. É o caso de Diego Lugano. O ex-são paulino fez uma bela Copa com o Uruguai e tem agora a chance de assegurar o seu pé de meia. Com 29 anos, está diante de sua última grande transferência.

Situação diferente vive Fábio Coentrão, destaque de Portugal. Peça rara no mercado, o lateral esquerdo superou até mesmo Cristiano Ronaldo em gramados sul-africanos e viu a pedida por seus direitos alcançar patamares nunca antes sonhados. É garantia de bom futebol para um setor com cada vez menos alternativas por aí. A Copa foi uma prova disso.

Coentrão, Lugano. Esses são alguns jogadores que prometem tomar o lugar do Mundial e aquecer a janela de transferências nas próximas semanas. Pensando nisso, a revista ESPN indica quais são os dez destaques do torneio que deverão ocupar o noticiário antes do ponta-pé inicial das ligas europeias.

Mesut Özil (Alemanha)

Uma perna esquerda mágica. Parecia fazer tudo com naturalidade. Passe para lá, cruzamento para cá. Nada o abalava. Era apenas mais do mesmo para ele. Antes da Copa, faltava mostrar esse talento entre os profissionais. Agora não falta mais. Campeão europeu sub-21 em 2009, Özil já era observado com atenção por alguns dos grandes clubes do continente. O que fez na África do Sul serviu somente para confirmar o seu potencial. O meia alemão pode ir longe. Arsenal e Barcelona estão entre os que sonham com o seu futebol. Talvez tenham que esperar um pouco mais. Mesmo com contrato se encerrando na próxima temporada, o jogador deve seguir no Werder Bremen. Até que a bola role na Bundesliga, muito deve ser falado ainda sobre o seu futuro.

Keisuke Honda (Japão)

Gênio. Foi assim que Arsène Wenger descreveu Honda durante a sua passagem como comentarista pela África do Sul. É pra poucos. O jogador japonês sabe disso. Mas sabe também que tem um grande talento nos pés. Talento este que merece ser levado a ligas mais fortes. Um primeiro passo nesse sentido já foi dado no início do ano, com a transferência do modesto VVV-Venlo-HOL para o CSKA Moscou. 9 milhões de euros. Foi essa a bagatela paga pelos russos. O sucessor de Hidetoshi Nakata quer mais. Não poderia ser diferente. Ainda mais depois do drible desconcertante que deu em um defensor durante jogo contra a Dinamarca. O Milan é um dos que segue seus passos. Com 24 anos, Honda se encaixaria na política de renovação dos italianos.

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Crédito da imagem: Reuters
Diego Forlán (Uruguai)

O repertório é variado. Não importa de onde chega a bola. De dentro, de fora da área, Forlán não falha. Tem um chute potente. Pôde mostrar isso na Copa. Foram cinco gols. Centroavante? Bem, era assim que costumava ser visto. Na África do Sul, depois de um primeiro jogo em que o Uruguai não agradou tanto, foi recuado para o papel de enganche. Aquele meia que joga atrás dos dois atacantes e municia todas as ações ofensivas. A força da artilharia, ainda assim, não diminuiu. Eleito o melhor da Copa, ele tem agora uma série de alternativas para o seu futuro. O Atlético de Madrid parece ser pequeno para o tamanho de seu futebol. O reconhecimento veio algo tardio – Forlán já tem 31 anos –, mas ainda em tempo. Manchester City e Tottenham, mesmo com a repulsa do jogador em voltar à Inglaterra, apostam nisso.

Lukas Podolski (Alemanha)

Bom, ser chamado de jogador de seleção não é desonra para ninguém. São poucos os que merecem esse título. Mas, bem, é preciso corresponder também em casa, dentro do clube. É isso que persegue Podolski depois de mais uma boa Copa do Mundo. Eleito o melhor jogador jovem em 2006, o meia-atacante impressionou mais uma vez no torneio. O canhão com a perna esquerda segue lá. A ele, agregou uma maior consciência tática, em um papel que só deixava claro a sua maturidade. Podolski é candidato forte a uma transferência nesta janela. Depois de falhar no Bayern de Munique, voltou ao seu Colônia, onde joga quase como defensor e é vítima de ciúmes dos colegas por conta de seu salário. O Milan, como se especula, cairia bem para ele.

André Ayew (Gana)

Poucos esperavam isso dele. Em duas temporadas, Ayew conseguiu mostrar que não era só o filho de Abedi Pelé. Que não estava na seleção por acaso. Crucificado depois do terceiro lugar na Copa Africana de Nações de 2008, o garoto deu início à sua volta por cima ainda no ano passado, com o título do Mundial Sub-20. Na Copa, fez apenas questão de confirmar o seu talento. Foi um dos principais desafogos do time. Com uma perna esquerda que demonstra a confiança de um veterano a cada toque, levou Gana até as quartas de final. Na decisão por uma vaga nas semis, ficou de fora, suspenso. Uma pena. Mas o seu torneio não passou despercebido. De possível dispensado no Olympique de Marselha, entrou na rota de equipes como Bayern de Munique e Palermo. É bom os franceses se apressarem. Seu contrato acaba no meio do ano que vem.

Diego Lugano (Uruguai)

No futebol, há algo que se chama de a última grande transferência. Autoexplicativo? Pode até ser que seja. Mas há muito mais por trás do termo. É o que nomes como Luís Fabiano, à beira dos 30 anos, estão atrás. Aquele pé de meia que dificilmente virá superada essa faixa de idade. Lugano também quer fazer a sua poupança para a aposentadoria. Sabe que a hora é essa. Se algum tempo atrás se cogitava o seu retorno ao Brasil, agora nem pensar. Uma rocha na defesa uruguaia, o zagueiro é o xerifão com o qual clubes como a Juventus sonham para a defesa. Os atrasos de salário que, volta e meia, enfrenta no Fenerbahce podem apenas facilitar uma transferência nesta janela.

Fábio Coentrão (Portugal)

Não é fácil se livrar da pecha de garoto-problema. Uma vez empregada, ela parece nunca deixar o jogador. Se você tem 20 e poucos anos, então, é ainda mais difícil. Não são todos que conseguem. Mas há quem possa dar a receita. Caso de Coentrão. De refugo no Benfica o jovem jogador se tornou o lateral esquerdo número 1 do mercado. O sonho de consumo de dez em cada dez clubes europeus. Antes mesmo da Copa, o Real já o havia sondado. Prova de seu talento e do quão acertada foi a saída da meia para a defesa. Sem um especialista para a posição, Carlos Queiroz recorreu à revelação dos Encarnados e não se arrependeu. Com direitos orçados em 20 milhões de euros, Coentrão deve agitar o mercado nas próximas semanas.

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Crédito da imagem: Reuters
Elano (Brasil)

Bom, Elano já conseguiu o queria. Não foi exatamente como sonhou, é verdade. Não fosse pela lesão que o tirou de campo, poderia ter jogado mais. Mas tudo bem. Foram dois gols em gramados sul-africanos. Quando trocou o Manchester City pelo Galatasaray aconselhado por Dunga, nem mesmo ele poderia ter esperado números assim no Mundial. Números que, apesar de mais um fracasso brasileiro, o colocam na mira de alguns clubes da Europa. A Juventus é um deles. Parece querer o jogador para fazer companhia ao também canarinho Felipe Melo, um dos micos da Copa. Elano está pronto para refazer o trajeto. Mais do que justo.

Diego Benaglio (Suíça)

Saudades de Portugal? Se é o caso, Benaglio não tem com o que se preocupar. Os históricos minutos em que passou sem sofrer gol na África do Sul podem ter garantido o seu retorno para a Terrinha. Falta apenas checar se o Sporting, maior interessado em seu futebol, tem bala para arcar com a sua volta ao país. Ex-jogador do Nacional-POR, o goleiro suíço já teve uma proposta de 10 milhões de euros recusada pelo Wolfsburgo. O Bayern de Munique não comoveu os executivos da Volkswagen, empresa que gere o time. Resta ver se os Leões conseguirão. Benaglio é novo – sobretudo para a posição em que atua –, tem 26 anos e um longo caminho a percorrer ainda em sua carreira.

Alexis Sánchez (Chile)

Há algum tempo, já se falava em interesse do Manchester United em seu futebol. Ao clube inglês, após a Copa do Mundo, parecem ter se juntado Roma e Lyon. A Udinese deverá sofrer para mantê-lo. E pensar que, algum tempo atrás, Sánchez não passava de mais um marabalista da bola. Ao menos, era assim que o viam. Uma espécie de Denílson chileno, sem qualquer objetividade em seu jogo. Cansou de ser emprestado por aí. Parecia fadado ao título de eterna promessa. Na África do Sul, o meia mostrou que não era bem assim. Havia amadurecido. O seu futebol também. Foi o jogador mais perigoso de um Chile que, enquanto esteve na Copa, encantou. Sempre aberto pelos lados do campo, nunca pensou duas vezes antes de partir para cima dos adversários. É um garoto com uma margem de crescimento faz o trio supracitado sonhar.

Fonte: ESPN Brasil

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