
Diego Lugano é praticamente uma unanimidade entre os torcedores do São Paulo. O zagueiro uruguaio de pegada forte e temperamento quente revelado pelo Nacional de Montevidéu emprestou sua raça ao tricolor durante três anos. Além do status de ídolo, o jogador --que deixou o clube do Morumbi com destino ao Fenerbahçe, da Turquia-- levou consigo os títulos do Campeonato Paulista, da Libertadores e do Mundial de Clubes.
No livro "Tricolor Celeste", lançado nesta semana, o jornalista Luís Carlos Símon narra a trajetória de Lugano desde sua chegada ao Brasil. Logo de cara o jogador ficou conhecido como "zagueiro do presidente", por conta da atitude de Marcelo Portugal Gouvêa, presidente do São Paulo na época, de bancar a vinda do atleta praticamente sozinho, sem nem consultar o então técnico Oswaldo de Oliveira.
A publicação, que conta com prefácio de Milton Neves e apresentação de Mauro Beting, o autor também conta a história de outros três uruguaios que fizeram sucesso entre a torcida são-paulina: Pedro Rocha, Pablo Forlán e Darío Pereira.
Confira abaixo um pequeno trecho do livro cedido pela Publisher do Brasil.
O "zagueiro do presidente"
Em 10 de abril de 2003, um uruguaio assustado chegou a São Paulo. Contratado por míseros 200 mil dólares chegou para resolver o problema do time. A negociação havia sido feita por Juan Figer, empresário de grande trânsito no Morumbi. Ele mostrou vídeos de Lugano, de quem falou maravilhas, ao presidente Marcelo Portugal Gouvêa.
"O Portugal Gouvêa veio a Montevidéu conversar comigo. Falou sobre o São Paulo e eu aceitei o desafio. Depois, ele me contou que a contratação foi feita não pelos vídeos, mas pela firmeza com que eu falei com ele, pelo modo entusiasmado que disse "sim". O presidente havia acertado. Lugano faria muito sucesso no São Paulo. No início, era ironicamente chamado de "o zagueiro do presidente", depois, o próprio Portugal Gouvêa diria, com orgulho, que ele era mesmo "o zagueiro do presidente".O São Paulo vivia um momento ruim, com defensores como Jean, Wilson, Júlio Santos, Régis, Reginaldo Cachorrão e outros. E a torcida desconfiou de um uruguaio barato e de currículo sem brilho. Queria um grande nome que ajudasse o time a sair da situação de sempre ser derrotado pelo Corinthians. Lugano faria isso. Mais do que isso, trituraria a fama de time sem brio e sem alma que o São Paulo tinha. Mas antes, sofreria muito.
A apresentação de um novo jogador de time grande é uma festa para fotógrafos. É a certeza de que terão uma foto publicada. Eles pedem que a nova camisa seja colocada lentamente para que não haja atropelo na hora das fotos. Não satisfeitos, sugerem poses e não se interessam apenas em captar o que está acontecendo. Interferem no fato.
"Dê um sorriso, Lugano. Mostra que está contente", alguém disse.
A resposta foi surpreendente.
"Não vejo motivo nenhum para sorrir sem razão. Vim aqui para vencer e só vou dar risada quando estiver comemorando algum título", disse o desconhecido.
Em nossa conversa na capital uruguaia, seis anos depois, ele explicou. "Antes de chegar a São Paulo, já li o noticiário na internet e vi que todo mundo desconfiava de mim. Estava nervoso. Aí vem alguém que nunca vi na vida e me manda dar risada. Achei que era uma gozação, achei que estavam pensando que eu era palhaço. E prometi de novo que seria um vencedor no São Paulo." Bicho do mato. Obstinado.
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"Tricolor Celeste"
Autor: Luís Augusto Simon
Editora: Publisher Brasil
Páginas: 112
Quanto: R$ 25,00
Onde comprar: pelo telefone 0800-140090 ou pelo site da Livraria da Folha
Fonte: Folha de SP



































